Escrituras nos tempos da Bíblia e do Livro de Mórmon
Nos tempos do Velho Testamento, as escrituras eram recebidas por meio de profetas chamados por Deus, que falavam sob inspiração do Espírito. Adão iniciou um livr ode recordações. Nele “eram registrados os feitos de seus descendentes; também quaisquer registros semelhantes escritos, a partir de então, por profetas e membros fiéis. Adão e seus descendentes escreveram um livro de lembranças, pelo espírito de inspiração, e um livro das gerações, que continha uma genealogia (Mois. 6:5, 8).” [1]
O irmão de Jarede recebeu o mandamento de escrever sua visão (Éter 3:21, 4:1).
Moisés também recebeu os mandamentos diretamente do Senhor e os escreveu em tábuas de pedra (Êxodo 31:18). Depois escreveu outros registros.
Instruções divinas foram por vezes registradas em rolos de pergaminho, placas, tábuas e outras formas de preservar registros. Jeremias ditava suas revelações ao escriba Baruque, que as escrevia em um livro (Jeremias 36:4). Quando o rei Jeoaquim destruiu esse livro, o Senhor ordenou que Jeremias escrevesse novamente todas as palavras e acrescentasse outras (Jeremias 36:32). Isso mostra que o processo de revelação e preservação das escrituras incluía a recepção direta da palavra, o registro escrito e, quando necessário, a restituição de textos perdidos.
No Novo Testamento, as escrituras continuaram a ser recebidas de maneira semelhante. Os apóstolos testificavam do ministério, morte e ressurreição de Jesus Cristo, e seus ensinamentos foram registrados em epístolas, evangelhos e relatos históricos. O apóstolo Paulo, por exemplo, escreveu cartas às igrejas e líderes locais — como Timóteo, Tito e os santos em Corinto — que foram reconhecidas como inspiradas e preservadas como escritura (2 Pedro 3:15–16). Essas revelações não surgiram todas de uma vez, mas foram sendo reconhecidas gradualmente pela comunidade cristã como doutrina, formando a base do Novo Testamento.
Nefi relata que recebeu mandamentos do Senhor e, obedecendo à ordem divina, fez registros em placas de metal (1 Néfi 9:2–5). Ao longo da narrativa, vários profetas, como Jacó, Enos, Alma e Mórmon, também escrevem os ensinamentos e revelações que receberam. Mórmon, especialmente, foi inspirado a compilar os registros de séculos de profecias e histórias do povo nefita, criando uma versão condensada em placas menores para benefício das gerações futuras (Palavras de Mórmon 1:3–7).
Novas revelações no Livro de Mórmon eram frequentemente recebidas em tempos de crise espiritual ou mudança no povo. Um exemplo é quando o rei Benjamim reúne seu povo para lhes transmitir as palavras que recebeu do anjo do Senhor (Mosias 3:2–4), e os registros daquela conferência são posteriormente incluídos nas escrituras. Outro exemplo notável é a visita do próprio Salvador ressuscitado às Américas, cuja doutrina e mandamentos foram registrados por Nefi e outros (3 Néfi 23:6–14). Nessa ocasião, Jesus até corrigiu as escrituras do povo, mandando que acrescentassem uma profecia de Samuel, o lamanita, que havia sido esquecida.
Esses exemplos mostram que tanto na Bíblia quanto no Livro de Mórmon, as escrituras eram recebidas por revelação direta, registradas fielmente por escribas ou profetas, preservadas com reverência e, quando necessário, atualizadas pelo mandamento do Senhor. A revelação era progressiva e contínua, e o povo de Deus era convidado a aceitá-la com fé e obediência. O padrão estabelecido nessas dispensações antigas é o mesmo que encontramos nos dias modernos: Deus continua a falar por meio de profetas vivos, e Sua palavra é registrada, preservada e, quando confirmada pela autoridade da Igreja, canonizada como escritura sagrada.
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[1] “Livro de Recordações”, Guia para o Estudo das Escrituras
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