Novas escrituras continuam sendo recebidas
Antes de analisar cada um desses requisitos, é importante salientar que revelações continuam sendo recebidas hoje — mesmo que a maioria não sejam canonizadas como escrituras nas obras-padrão. O Elder L. Tom Perry testificou:
“Declaramos ao mundo que os céus não estão cerrados. Deus continua a revelar Sua vontade à humanidade, como em todas as épocas em que teve servos autorizados sobre a Terra.” [1]
Esta é uma Igreja viva (D&C 1:30) e guiada por revelação contínua. Cremos que Deus ainda revelará "muitas grandes e importantes coisas pertencentes ao reino de Deus" (Regras de Fé 1:9). Isso pode incluir até mesmo novas escrituras no tempo e modo designados pelo Senhor (2 Néfi 29:12-14) [2].
Sabemos que muitas escrituras antigas que não temos atualmente acabarão surgindo e serão canonizadas. A porção selada do Livro de Mórmon (ver Éter 3:27; 4:6) e a “plenitude do registro de João” (D&C 93:18) são alguns exemplos mencionados nos textos sagrados. Pode ser que aconteça antes da segunda Vinda, mas se não, somos informados que quando o Senhor voltar “todas as coisas que foram reveladas aos filhos dos homens serão (…) reveladas” (2 Néfi 30:18).
Contudo, é essencial compreender que os termos “escritura” e “revelação” podem ter significados mais amplos. O próprio Senhor declarou:
“E qualquer coisa que disserem quando movidos pelo Espírito Santo será escritura, será vontade do Senhor, será mente do Senhor, será palavra do Senhor, será voz do Senhor e o poder de Deus para a salvação.” — Doutrina e Convênios 68:4
Portanto, mesmo revelações não canonizadas podem ser consideradas escritura, desde que inspiradas pelo Espírito Santo e reconhecidas pela devida autoridade na Igreja. Um conselho profetico ou declaração apostólica podem ser recebido como escritura pelos membros, ainda que tal ensinamento não esteja canonizado nas obras-padrão. “Família: Proclamação ao Mundo” é o caso de uma revelação que não foi ainda canonizada [3].
Além disso, todos que tem acesso ao poder do Espírito Santo podem receber revelação (Morôni 10:3-5). Contudo, essa revelação não é imediatamente vinculante às pessoas que não estão sob a linha de autoridade daquele que aprendeu uma nova verdade espiritual. Brigham Young recomendou:
“Se receber uma visão ou revelação do Todo-Poderoso, concedida pelo Senhor particularmente a você ou a este povo, mas que não deva ser revelada, por você não ser a pessoa adequada para fazê-lo ou por ainda não ser próprio que ela chegue ao conhecimento das pessoas, então guarde-a, sele-a e feche-a tão hermeticamente quanto o céu e torne-a mais secreta que um túmulo. O Senhor não confia naqueles que revelam segredos, pois não pode revelar-se de modo seguro a tais pessoas.” (DBY, pp. 40–41) [4]
Uma historia interessante que exemplifica isso vem da experiência de Lorenzo Snow:
“Na primavera de 1840, Lorenzo Snow estava em Nauvoo, Illinois, preparando-se para partir em missão para a Inglaterra. Ele visitou o amigo Henry G. Sherwood, a quem pediu que lhe explicasse uma passagem das escrituras. Posteriormente, o Presidente Snow contou: “Eu escutava atentamente a explicação, quando o Espírito do Senhor recaiu intensamente sobre mim, os olhos de meu entendimento abriram-se e eu vi, claro como o sol ao meio-dia, com admiração e espanto, o caminho de Deus e do homem. Escrevi os seguintes versos que expressam a revelação que recebi. (…)
“Como o homem é hoje, Deus já foi.
Como Deus é, o homem poderá ser.”
Sentindo que havia recebido uma “revelação sagrada” que precisava ser devidamente protegida, Lorenzo Snow não ensinou essa doutrina publicamente até saber que o Profeta Joseph Smith já a havia ensinado. Depois de saber que essa doutrina se tornara de conhecimento público, passou a prestar testemunho dela com frequência.” [5]
O Elder L. Tom Perry também ensinou:
“O Senhor revela Sua vontade aos homens de maneira organizada. Todos temos o direito de rogar ao Senhor e receber inspiração por meio de Seu Espírito, nos limites de nossa própria responsabilidade. Os pais podem receber revelações para sua família, o bispo para sua congregação e assim por diante até a Primeira Presidência, que a recebe para toda a Igreja. Contudo, não podemos receber revelações quanto às responsabilidades de outra pessoa. O Profeta Joseph Smith declarou:
“(…) é contrário ao sistema de Deus que um membro da Igreja, ou qualquer outra pessoa, receba instruções para alguém cuja autoridade seja maior do que a sua.”
“(…) as revelações da disposição e vontade de Deus a respeito da Igreja devem vir por intermédio da [Primeira] Presidência, Essa é a ordem dos céus, assim como o poder e privilégio desse sacerdócio. Qualquer dos oficiais desta Igreja tem o privilégio de receber revelações, no que concerne ao seu chamado e dever na Igreja.” [6]
Comentários
Postar um comentário