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O pretenso profeta-tradutor Maurício Artur Berger (o autor do Livro)

Maurício Artur Berger é o líder de um movimento dissidente que afirma ter recebido uma visita do anjo Morôni em 6 de abril de 2007, no Brasil. Segundo ele, o anjo lhe confiou os mesmos instrumentos sagrados anteriormente entregues a Joseph Smith. Berger declara ter sido chamado como profeta, tradutor e revelador, com a missão de trazer à luz uma porção selada das Placas de Mórmon, numa fase que denomina “Segundo Convite” [1]. Além disso, Berger alega ser a própria reencarnação de Joseph Smith, retornando à mortalidade para dar continuidade à obra iniciada no século XIX.[2] Essas afirmações, contudo, não são reconhecidas por A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e contradizem os princípios estabelecidos pelas revelações modernas sobre a autoridade profética na Igreja restaurada. A doutrina da Igreja é clara quanto à sucessão profética: o único indivíduo autorizado a receber revelação para toda a Igreja é o Presidente da Igreja, que também é o Profeta, Vidente e Revelador ...

A Crise de sucessão após o martirio de Joseph Smith

Após o martírio do Profeta Joseph Smith e de seu irmão Hyrum em 27 de junho de 1844, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias enfrentou um momento decisivo: quem deveria assumir a liderança da Igreja? Joseph não havia designado de maneira pública e inequívoca um sucessor, o que levou a um período de incerteza entre os membros. Vários líderes reivindicaram autoridade, incluindo Sidney Rigdon (então conselheiro na Primeira Presidência), James Strang, William Smith (irmão de Joseph), entre outros. Sidney Rigdon argumentava que, como remanescente da Primeira Presidência, deveria servir como “guardião” da Igreja. No entanto, Brigham Young, presidente do Quórum dos Doze Apóstolos, defendeu que a liderança da Igreja havia sido delegada aos Doze por Joseph antes de sua morte, e que a autoridade profética residia naquele corpo apostólico. Em uma reunião marcante em Nauvoo, muitos dos presentes testemunharam uma poderosa manifestação espiritual — relatando que a voz, aparência e pres...

Exame de admissibilidade do Livro Selado de Mórmon

 ​O "Livro Selado de Mórmon" é uma obra que surgiu no Brasil, cujos proponentes afirmam ter traduzido uma porção anteriormente selada das placas mencionadas no Livro de Mórmon. Para avaliar a legitimidade dessa obra como escritura divina, podemos considerar três critérios fundamentais explicados no capítulo anterior.​ Origem da Revelação: A revelação deve ser recebida pelo Presidente da Igreja, que é o profeta, vidente e revelador para toda a Igreja. Não há registro de que o Presidente da Igreja tenha recebido ou autorizado a tradução ou publicação do "Livro Selado de Mórmon".​ Sustentação por Voto Comum: Para que uma nova escritura seja aceita, ela deve ser apresentada e aprovada pelos membros da Igreja por meio do princípio do "voto comum" em uma conferência geral. O "Livro Selado de Mórmon" não foi submetido a esse processo e, portanto, não foi oficialmente reconhecido ou aceito pela congregação.​ Harmonia Doutrinária: Qualquer nova revelação ...

Da história do movimento e crenças

O movimento religioso conhecido como “Mórmons do Livro Selado” teve início por volta de 2017, na cidade de Caxias do Sul, no estado do Rio Grande do Sul, e posteriormente estabeleceu sua sede em Santa Catarina, contando também com membros no estado do Missouri, nos Estados Unidos. Há poucas informações online sobre a história do movimento. O movimento é liderado por Maurício Artur Berger, um brasileiro que afirma ter recebido do anjo Morôni as placas de ouro e a espada de Labão, com a missão de traduzir a porção selada do Livro de Mórmon, que, segundo ele, Joseph Smith Jr. não teria traduzido em 1829. Berger que já particiou de muitas denominações religiosas em sua vida [1], declara agora ter sido ordenado ao sacerdócio por ministração angélica, em experiência semelhante àquela descrita por Joseph Smith Jr., fundador do mormonismo. Para validar suas alegações, Berger reuniu testemunhas que corroboram suas experiências com visões angelicais e a posse das referidas placas de ouro. Entret...

O testemunho do Espírito Santo

É de suma importância reconhecermos que “nenhuma profecia da escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:20–21). Como ensinado pelo apóstolo João, “o testemunho de Jesus é o espírito de profecia” (Apocalipse 19:10). Este princípio é reiterado no Livro de Mórmon, quando Néfi declara: “Falamos de Cristo, regozijamo-nos em Cristo, pregamos a Cristo, profetizamos de Cristo e escrevemos segundo nossas profecias, para que nossos filhos saibam em que fonte buscar a remissão de seus pecados” (2 Néfi 25:26). Essas passagens nos oferecem chaves espirituais fundamentais para a compreensão das escrituras: precisamos buscar o mesmo Espírito de profecia — o testemunho vivo de Jesus Cristo — que inspirou os escritores sagrados. Qualquer tentativa de interpretação (hermenêutica) desprovida da graça de Deus e da influência do Espírito Santo resultará inevitavelm...

O padrão de estabelecimento de doutrina

Todos os exemplos mencionados nos artigos anteriores * - as mudanças recentes do Presidente Nelson e o fim da restrição do sacerdócio - foram revelados ao Profeta, apresentados a Primeira Presidência e ao Quórum dos Doze Apostolos, aprovados por eles. O Élder D. Todd Christofferson, do Quórum dos Doze Apóstolos, disse: “Atualmente na Igreja, tal como no passado, o estabelecimento da doutrina de Cristo ou a correção dos desvios doutrinários é uma questão de revelação divina concedida aos que o Senhor investiu com autoridade apostólica”. [1] Ele também disse: “Com a inspiração divina, a Primeira Presidência (o profeta e seus dois conselheiros) e o Quórum dos Doze Apóstolos (a segunda maior autoridade da Igreja) deliberam em conselho para estabelecer a doutrina que se proclama constantemente nas publicações oficiais da Igreja. Essa doutrina reside nas quatro "obras-padrão" das escrituras (A Bíblia Sagrada, o Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios e a Pérola de Grande Valor), decl...

A importância do profeta no estabelecimento da doutrina frente as revelações já recebidas e a questão da infalibilidade dos profetas

 Quero mencionar uma história para ampliar o entendimento do conceito de que profetas vivos podem ampliar, ratificar, retificar e explicando o que está estabelecido nos livros de escrituras. Wilford Woodruff, o quarto Presidente da Igreja, relatou: “Quero contar o que aconteceu em uma certa reunião a que assisti na cidade de Kirtland na minha juventude. Naquela reunião foram ditas certas coisas (…) a respeito dos oráculos vivos e da palavra escrita de Deus. (…) Um líder da Igreja se levantou e falou a respeito do assunto, dizendo: ‘Vocês têm a palavra de Deus diante de vocês aqui na Bíblia, no Livro de Mórmon e em Doutrina e Convênios; vocês têm a palavra de Deus, e vocês que dão revelações devem dá-las de acordo com esses livros, porque neles está escrita a palavra de Deus. Devemos restringir-nos a eles’. Quando ele terminou, o irmão Joseph virou-se para o irmão Brigham Young e disse: ‘Irmão Brigham, quero que você suba ao púlpito e nos diga qual é o seu ponto de vista referente a...

Os três requisitos para novas escrituras

O primeiro requisito para admissão de uma nova escritura canonizada é que a instrução ou conhecimento deve vir do Presidente da Igreja. Desde o início da Restauração, o Senhor estabeleceu uma ordem clara quanto à revelação e à administração de Sua Igreja. Essa ordem é central para avaliar qualquer alegação de novas revelações. O profeta Joseph Smith buscou orientação do Senhor. Em resposta, recebeu a revelação registrada em Doutrina e Convênios 28, dirigida a Oliver Cowdery, que também tinha acreditado nele: Hiram Page era um dos Oito Testemunhos do Livro de Mórmon e um dos primeiros membro da Igreja. Casado com uma irmã de David Whitmer, ele fazia parte do círculo íntimo de Joseph Smith. No final de 1830, Hiram Page começou a receber supostas revelações por meio de uma pedra. Vários membros da Igreja acreditaram nele. “Ninguém será designado para receber mandamentos e revelações nesta igreja, a não ser meu servo Joseph Smith, Jun., pois ele as receberá como Moisés.”  — Doutrina e ...

Novas escrituras continuam sendo recebidas

Antes de analisar cada um desses requisitos, é importante salientar que revelações continuam sendo recebidas hoje — mesmo que a maioria não sejam canonizadas como escrituras nas obras-padrão. O Elder L. Tom Perry testificou: “Declaramos ao mundo que os céus não estão cerrados. Deus continua a revelar Sua vontade à humanidade, como em todas as épocas em que teve servos autorizados sobre a Terra.” [1] Esta é uma Igreja viva (D&C 1:30) e guiada por revelação contínua. Cremos que Deus ainda revelará "muitas grandes e importantes coisas pertencentes ao reino de Deus" (Regras de Fé 1:9). Isso pode incluir até mesmo novas escrituras no tempo e modo designados pelo Senhor (2 Néfi 29:12-14) [2]. Sabemos que muitas escrituras antigas que não temos atualmente acabarão surgindo e serão canonizadas. A porção selada do Livro de Mórmon (ver Éter 3:27; 4:6) e a “plenitude do registro de João” (D&C 93:18) são alguns exemplos mencionados nos textos sagrados. Pode ser que aconteça antes...

Novas escrituras na época de Joseph Smith

Durante seu ministério, Joseph Smith foi instrumento para a transmissão de mais de uma centena de revelações, a maioria expressa diretamente na voz do Salvador. Essas comunicações divinas, que hoje formam a maior parte de Doutrina e Convênios, eram geralmente motivadas por orações, dúvidas doutrinárias ou pela necessidade de direção em assuntos administrativos da Igreja. A primeira revelação documentada, atualmente conhecida como Doutrina e Convênios 3, foi recebida em julho de 1828, e a última foi registrada poucos meses antes de seu martírio, em 1844. Os santos dos primeiros dias reconheciam essas mensagens como distintas e sagradas, referindo-se a elas como “mandamentos” ou “revelações”, diferenciando-as dos outros textos produzidos por Joseph. Algumas dessas instruções divinas não chegaram a ser publicadas em sua época, mas hoje estão disponíveis ao público através da coleção The Joseph Smith Papers. Além das revelações formais, Joseph também compartilhou visões, proferiu sermões i...

Escrituras nos tempos da Bíblia e do Livro de Mórmon

Nos tempos do Velho Testamento, as escrituras eram recebidas por meio de profetas chamados por Deus, que falavam sob inspiração do Espírito. Adão iniciou um livr ode recordações. Nele “eram registrados os feitos de seus descendentes; também quaisquer registros semelhantes escritos, a partir de então, por profetas e membros fiéis. Adão e seus descendentes escreveram um livro de lembranças, pelo espírito de inspiração, e um livro das gerações, que continha uma genealogia (Mois. 6:5, 8).” [1] O irmão de Jarede recebeu o mandamento de escrever sua visão (Éter 3:21, 4:1). Moisés também recebeu os mandamentos diretamente do Senhor e os escreveu em tábuas de pedra (Êxodo 31:18). Depois escreveu outros registros. Instruções divinas foram por vezes registradas em rolos de pergaminho, placas, tábuas e outras formas de preservar registros. Jeremias ditava suas revelações ao escriba Baruque, que as escrevia em um livro (Jeremias 36:4). Quando o rei Jeoaquim destruiu esse livro, o Senhor ordenou qu...

Capítulo 2 - Entendimento preliminar sobre como surgem novas escrituras

Escrituras são informações sagradas reveladas por Deus. Geralmente, usamos o termo escrituras em referência aos textos sagrados adotados pela Igreja: a Bíblia, o Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios e a Pérola de Grande Valor. Esses livros são conhecidos como obras-padrão ou obras canônicas da Igreja.  Antes de entrarmos no texto da suposta nova revelação - “O livro selado de Mórmon” - precisamos analisar como eram recebidas as escrituras no passado, tanto nos tempos da Bíblia e do Livro de Mórmon, quanto na época de de Joseph Smith. Também falaremos como podemos, por revelação, saber se algo provém de Deus ou é uma obra de homens ou demônios. Neste capítulo abordaremos: Capítulo 2 - Entendimento preliminar sobre como surgem novas escrituras Escrituras nos tempos da Bíblia e do Livro de Mórmon Novas escrituras na época de Joseph Smith Novas escrituras continuam sendo recebidas Os três requisitos para novas escrituras A importância do profeta no estabelecimento da doutrina frente a...

Da Liberdade Religiosa e do direito de crítica à fé alheia

A liberdade religiosa é um direito fundamental garantido pela Constituição Federal do Brasil, assegurando a todas as pessoas o direito de professar, manifestar e propagar suas crenças, sem interferência indevida do Estado ou de terceiros. O artigo 5º, inciso VI da Constituição estabelece que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”. Esse princípio reflete um valor essencial em sociedades democráticas, permitindo que indivíduos e grupos, como o Projeto Sião, expressem sua fé, façam proselitismo e interpretem escrituras conforme sua compreensão. No entanto, essa liberdade não é absoluta e encontra limites na própria legislação. O Código Penal Brasileiro, em seu artigo 208, estabelece que é crime “escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipe...

Introdução e conteúdo

Eu, Lucas Guerreiro, escrevo este blog com a intenção de investigar o Livro Selado de Mórmon à luz do evangelho restaurado de Jesus Cristo, por meio do Profeta Joseph Smith. O Livro Selado de Mórmon é uma obra do “Projeto Sião”, que supostamente foi “traduzido das Placas de Mórmon pelo dom e poder de Deus” por um “profeta” chamado Maurício Arthur Berger. Não é um livro autorizado da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Antes de analisar o conteúdo do documento, faço uma avaliação da admissibilidade de novas revelações, com base nos parâmetros estabelecidos nas escrituras e nas normas de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. A comunidade religiosa que perpetua os ensinamentos do Livro Selado é dissidente da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e afirma que a mesma se perdeu espiritualmente após a morte de Joseph Smith em 1844. Entretanto, é um movimento recente, tendo surgido há poucos anos (em 2018).  Utilizo, nas argumentações que quest...